"CERJQuintino-Artigos"

Comunidade de Quintino / Artigo:
Silêncio espiritual
Autor: Bill Samuel, versão em português por Wesley W. Cavalheiro

Original em inglês: http://www.quakerinfo.com/quak_sil.shtml

"Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" Sl 46.10

"Na tranqüilidade interior e na retração da mente, o testemunho de Deus brota do coração, e a luz de Cristo brilha tanto que a alma toma consciência de sua própria condição."
Robert Barclay em Discurso da Verdeira Divindade Cristã

Os Quakers são convictos de seu uso do silêncio. Escrevi sobre isso anteriormente em "A Adoração dos Quakers". Neste artigo, quis examinar o uso espiritual do silêncio tanto em um contexto amplo quanto em adoração coletiva.

A essência do valor do silêncio, tanto para os Quakers quanto para outros cristãos, é libertar-se de influências fora de Deus e levar a verdadeiramente escutar o Cristo vivo.

Neste silêncio espiritual, podemos ver nossa própria condição muito mais claramente. Isto pode ser uma experiência muito humilhante e decepcionante por vermos nossa condição pecaminosa. Vendo nossa condição, nós nos tornamos conscientes da nossa necessidade de sermos redimidos por Deus.

Na quietude, nós também podemos nos tornar muito mais conscientes da profundidade do amor de Deus por nós. Nós não esvaziamos nossa mente porque valorizamos o vazio, mas porque ela pode ser preenchida com as coisas do Espírito. Nós permitimos que Deus nos faça nova criatura (2Co 5.17; Gl 6.15).

Os Quakers valorizam o uso do silêncio não somente no contexto das reuniões coletivas, mas também em outros contextos. Tradicionalmente, os Quakers tem "momentos de retiro" - uma devocional - pessoal regulares. Esses momentos normalmente incluem leitura bíblica e oração, mas também incluem um substancial tempo de quietude para ouvir. Nesses momentos, nós somos ajudados a ver onde nós necessitamos de correção e a direção na qual o Senhor quer nos levar. Os Quakers também usam o silêncio nos momentos encontram-se uns com os outros fora do encontro de adoração, permitindo que o Espírito trabalhe mais profundamente na interação, do que ocorre, em geral, quando alguém fica falando todo o tempo.

Na cultura contemporânea ocidental, nós freqüentemente temos medo do silêncio. Enquanto existem contextos nos quais o silêncio é negativo, a prática espiritual do silêncio pode permitir que transcendamos nossa cultura e conectemos com a fonte divina que é sempre nova e infinita. Nesta cultura onde nós somos bombardeados de todas as direções com estímulos artificiais, esta prática espiritual é refrigério e mais do que nunca necessária.


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